Na ponta do lápis: pagamento à vista ou parcelado?

Na ponta do lápis: pagamento à vista ou parcelado?

Na hora de uma compra, você já se perguntou se valeria mais a pena fazer o pagamento à vista ou a prazo? Para ajudá-la a responder a essa questão, conversamos com a professora de finanças da Faculdade de Administração da FAAP, Virginia Prestes, e com o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Complexo Educacional FMU, Edson Brito.

Os especialistas explicam que, apesar de o pagamento à vista normalmente ser mais vantajoso, isso não vale para todas as situações. Veja, então, como tomar a melhor decisão para o seu bolso em diferentes situações.

Quando você tem o dinheiro e:

1) Há desconto à vista ou juros a prazo

Se você tem o valor necessário para a compra e recebe uma oferta de pagamento que privilegie a quitação imediata – ou seja, com desconto à vista ou juros a prazo -, via de regra, essa será a melhor opção.

Para ter certeza, entretanto, é preciso fazer os cálculos, comparando os juros da operação com o que ganharia em uma aplicação financeira. Imagine, por exemplo, que você tenha duas opções de pagamento na compra de uma geladeira:

  • R$ 1000 à vista;
  • ou 4 parcelas de R$ 260 (total de R$ 1040).

Por meio desta calculadora do Banco Central, você consegue descobrir que os juros embutidos nesse parcelamento são de 1,58% ao mês. A poupança, por outro lado, está rendendo hoje cerca de 0,47% ao mês. O pagamento à vista, nesse caso, valeria a pena, pois o que você ganharia deixando o dinheiro investido seria inferior ao que pagaria de juros.

2) Não há diferença no preço à vista ou a prazo

Se a loja não oferecer desconto à vista, seu primeiro passo deve ser negociar e pedir uma redução no preço. Vale ressaltar que não existe operação de crédito sem juros e se o estabelecimento disponibiliza um parcelamento sem acréscimo, a taxa já está, na verdade, embutida no preço inicial. Por isso, sempre vale a pena “chorar” um pouco na hora do pagamento.

Se, realmente, essa opção não for dada, financeiramente falando é mais interessante investir esse dinheiro e optar pelo parcelamento. Em termos de organização financeira, entretanto, essa resposta não é tão simples assim. “É preciso ter disciplina para não gastar mais do que deveria pela sensação de estar pagando menos. Isso é comum quando um valor alto é dividido em várias vezes. A pessoa pode comprometer grande parte do orçamento e só perceber mais tarde”, orienta Virginia.

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3) Precisa decidir se deixa uma quantia investida ou faz o resgate para pagar à vista

Se você tem o dinheiro investido na poupança, CDB ou Tesouro Direto, por exemplo, e precisa decidir entre resgatar os recursos ou parcelar a compra, será preciso mais uma vez ir às contas. “A compradora deverá fazer uma comparação entre a taxa de juros do investimento e do produto que irá adquirir”, explica Brito.

Se houver juros no parcelamento, dificilmente o retorno da aplicação financeira será superior. Por isso, costuma valer a pena fazer o resgate para arcar com o custo do produto de uma só vez. “As taxas de juros em aplicações de renda fixa estão baixas, então provavelmente será melhor pagar à vista”, afirma Virginia.

Agora, se não houver juros na compra e você não conseguir o desconto, pode ser interessante manter o dinheiro investido e aumentar o seu capital. Mas, antes de tomar essa decisão, é importante considerar também o caráter do seu investimento. Se for uma aplicação focada na sua aposentadoria ou se for a sua única reserva financeira, pode não ser ideal se desfazer dos recursos.

Quando você não tem o dinheiro em mãos ou, apesar do desconto, acha que o pagamento à vista pode pesar no orçamento:

Se você não tem os recursos para fazer uma compra, a história é diferente. Antes de partir para o parcelamento, deve-se, primeiramente, considerar a possibilidade de esperar e reunir o valor necessário para pagar o item de uma vez. No pagamento à vista fica mais fácil se organizar financeiramente e economizar com possíveis descontos.

“Agora, se a compra não puder ser adiada, é recomendável comprar parcelado no estabelecimento que tenha o menor preço e cobre a menor taxa de juros”, orienta Brito. Compras a prazo devem sempre ser feitas depois de uma análise do orçamento e com a certeza de que conseguirá arcar com os pagamentos.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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