O caminho para ajudar as pessoas

O caminho para ajudar as pessoas

Para quem tem dúvidas em relação à carreira, vale antes de qualquer decisão fazer um profundo questionamento: o que importa para você, as experiências ao longo de sua trajetória profissional ou somente o resultado final? Mudanças no modo de trabalhar, sem receio das consequências dessa decisão, podem trazer transformações inimagináveis. Quem conhece bem sobre este assunto é a jornalista Natália Garcia, à frente do projeto Cidades para Pessoas. A trajetória dela traz algumas reflexões interessantes e que podem inspirar os caminhos de todas nós.

Paulistana e conhecedora das dificuldades de viver em São Paulo, a jovem teve passagens por grandes redações, como o portal Terra, a rádio Band News, o grupo Abril e o Estadão. A partir de experiências pessoais, resolveu abrir mão de trabalhar em grandes veículos para dedicar-se a assuntos ligados a mobilidade e planejamento urbano. “Com 24 anos eu já era estressada, estava acima do peso, vivia reclamando do trânsito, enfim, já sentia os efeitos da vida dura em São Paulo. Quando eu ainda estava na Abril, resolvi comprar uma bicicleta e comecei a me relacionar com a cidade de uma outra maneira, este foi o momento determinante para mudar minha vida”.

Segundo a jornalista, a troca do carro pela bicicleta fizeram com que ela visse a cidade com outros olhos, com possibilidades de escolher rotas alternativas para chegar ao trabalho, relacionando-se com as pessoas e com a própria cidade, à medida em que ela tinha flexibilidade para escolher as paisagens que iria ver ao longo do percurso. Essa vivência trouxe motivação para buscar entender melhor o que pode ser feito para que as cidades tornem-se mais agradáveis.

A tomada de decisão aconteceu depois de um período de férias no grupo Abril. Depois de uma viagem à Bogotá para pesquisar um pouco mais sobre mobilidade e planejamento, ela voltou ao Brasil determinada a pedir demissão e fazer trabalhos como freelancer sobre o tema de interesse, até que nasceu o Cidades para pessoas. Para quem não conhece, o projeto consiste em disponibilizar conteúdo e fazer conexões entre vários setores, com o objetivo de melhorar as cidades.

Natália chegou a levar a proposta para grandes redações, que mostraram-se interessadas, mas não chegaram a efetivamente bancar o projeto.

Uma nova saída

Enquanto fazia uma matéria como freelancer, Natália teve o primeiro contato com o crowdfunding (financiamento coletivo), por meio do pessoal do catarse. Foi ai que o projeto disparou. As pessoas se interessaram pela ideia e a jornalista conseguiu financiamento para percorrer 12 cidades na Europa, Estados Unidos e México, em duas viagens distintas. Durante as visitas, ela ouviu especialistas e viu de perto alguns modelos de sucesso para o bem-estar coletivo, como é o caso de Copenhague.

5 lições de Copenhague para São Paulo from Cidadesparapessoas on Vimeo.

As experiências ao redor do mundo foram apenas o pontapé para dar início a mudanças maiores. Ela participou de exposições em que pode mostrar modelos de cidades no exterior que poderiam contribuir para melhorar cidades brasileiras. “Passei a dar consultoria para várias empresas, principalmente do mercado imobiliário, e também para prefeituras. Meu trabalho tem sido conectar as pessoas com novas ideias e o que estou vendo é um processo de mudança cultural”, reforça. Além das consultorias, ela desenvolve ainda um projeto com adolescentes, no intuito de incentivá-los a explorar as regiões onde vivem usando a bicicleta.

Entre os questionamentos propostos por Natália, está o critério que o poder público utiliza para medir se uma via é eficiente ou não. “A contagem é feita considerando o número de veículos que circulam por essa via, e não o número de pessoas. Sendo assim, um ônibus cheio de gente conta como apenas um. Aí vem toda a polêmica dos corredores de ônibus, podemos mudar a percepção se mudarmos a forma como enxergamos as coisas”. Ela questiona ainda a visão de que o marco econômico predomine na hora de pensar na organização da cidade. “Mobilidade não é encher a cidade de vias largas, criar mais linhas de ônibus, de metrô ou de trem. É preciso pensar primeiro nas pessoas. Se surge hoje a notícia da abertura de uma linha de metrô, a região logo fica valorizada e muita gente se vê obrigada a mudar dali. Se tivermos somente métricas econômicas, ficaremos distantes do que a cidade realmente precisa para existir”, analisa.

Mudanças de atitude

Ao mesmo tempo em que aliou uma vontade pessoal com uma iniciativa de utilidade pública, Natália conseguiu começar a fazer o que poderia parecer praticamente impossível aos olhos de muita gente: propôs um debate que envolve a população, os ativistas, as grandes empresas e o poder público.

Eis aqui a prova viva de que é possível começar uma transformação gigantesca a partir de uma pessoa com foco e determinação para trazer soluções. Ela faz ainda uma analogia com o que já alcançou até agora com o seu trabalho e o impacto do projeto em sua carreira jornalística. “Me tornei uma jornalista melhor depois que parei de vender meu tempo e passei a vender o meu trabalho”, pontua.

Um dos motivos que podem justificar o sucesso que tem feito o trabalho que Natália vem desenvolvendo com o Cidade para Pessoas, é a percepção que ela teve da demanda do público. “As matérias sobre os problemas das cidades vinham sendo feitas de um jeito muito sistêmico, com abordagens pontuais, problemas de trânsito, buracos nas vias, mas sem apontar muitas soluções”. Para ela, as pessoas anseiam por discussões mais aprofundadas, se interessam por debates mais amplos. “Hoje em dia as pessoas estão mais interessadas em saber o que os blogueiros têm a dizer sobre os rolezinhos do que o que um jornal tem a falar sobre o assunto”.

Por fim, ela deixa para nós uma reflexão sobre os rumos que cada uma de nós imagina para a carreira. “É preciso pensar se o que interessa mais são as experiências que você vive ao longo da carreira são mais importantes que o resultado final. Eu parei de me preocupar com o ‘onde eu vou chegar’ para me dedicar mais ao processo para chegar lá”.

Temos aqui mais um exemplo de que a felicidade profissional pode ser alcançada fazendo o que a gente gosta com dedicação. Os resultados podem ser muito mais satisfatórios do que a busca incansável por um posto em uma grande corporação com um alto salário.

 

E você, como conduz a sua carreira? Faça como Natália e conte-nos a sua história! 

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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