O dólar vai continuar caindo?

O dólar vai continuar caindo?

Nos dois últimos anos vimos o dólar chegar a patamares excessivamente elevados. Em janeiro deste ano, a moeda chegou a R$ 4,16, o maior valor desde o Plano Real. A divisa valorizada é ruim para quem tem intenção de viajar, tem dívidas em moeda estrangeira e até mesmo no dia a dia do cidadão comum, tendo em vista que o dólar caro também pressiona a inflação. Na semana passada, entretanto, a moeda norte-americana deu uma leve trégua e chegou a R$ 3,10, a menor cotação desde julho do ano passado.

A desvalorização se deu, principalmente, devido à entrada de recursos em moeda estrangeira no País por meio da lei de repatriação, cujo prazo termina hoje (31). Quem está planejando uma viagem internacional, conseguiu aproveitar o momento de baixa para abastecer a reserva de dólares. Mas será o preço da moeda deve continuar caindo?

Para o professor da Faculdade Fipecafi, Mário Rodriguez Amigo, o cenário no curto prazo ainda indica a queda do dólar, mas defende que outros fatores são mais importantes que a lei de repatriação para determinar essa tendência. “Esse evento não é o elemento principal de formação de preço cambial, são diversas variáveis de ordem macroeconômica e de fluxo global que influenciam esse cenário”, explica.

Entre os fatores internos, podemos destacar a entrada de recursos estrangeiros por meio dos investimentos. Enquanto as taxas de juros no País estão em um patamar bastante elevado, lá fora elas não trazem a mesma rentabilidade ao investidor. Essa característica torna o Brasil um chamariz de investimentos estrangeiros. A instabilidade econômica, por outro lado, tem efeito contrário e afasta o investidor.

Para os especialistas, algumas medidas internas têm indicado um terreno mais seguro aos investimentos, como a agenda de controle de gastos, a queda da inflação e a postura do Banco Central. “As medidas de austeridade apresentadas agradaram o investidor estrangeiro e devido a esse cenário é possível que haja nova quedas”, explica o Business Manager da GME Câmbio, Felippe Matheus. Ao mesmo tempo, a Selic, a taxa básica de juros da economia, permanece a um valor bastante atrativo: 14% ao ano.

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“Com a sinalização de uma melhora na política econômica, aumenta a predisposição do investidor em colocar seus recursos no País. E esse movimento de entrada tem efeito sobre o câmbio”, completa Rodriguez. Para ele, se a reforma estrutural se consolidar, poderemos esperar um efeito mais duradouro de valorização do real. No entanto, como os fatores externos – principalmente as alterações políticas e econômicas nos Estados Unidos – também exercem forte influência sobre o câmbio, o cenário está sempre suscetível a mudanças.

A expectativa do Boletim Focus, do Banco Central, divulgado no dia 24 de outubro, é de que o dólar feche 2016 a R$ 3,20.

Algumas dicas para se preparar
Nesse jogo de sobe e desce, quem precisa comprar dólares fica à mercê das oscilações. Confira algumas dicas para se proteger e garantir boas compras.

– Compre aos poucos: o ponto-chave para quem precisa comprar moeda estrangeira é adquiri-la aos poucos até a data da viagem. “Dessa maneira, você pagará o preço médio pela moeda, não correndo o risco de adquirir o montante na pior taxa do período”, explica Alexandre Fialho, diretor da distribuidora de câmbio turismo Cotação. Se a tendência for de alta da moeda, o ideal é comprar mais no presente e deixar menos para depois. Já se a expectativa for de desvalorização do dólar, é possível deixar um valor maior para ser adquirido no futuro, explica Rodriguez.

– Peça ajuda às ferramentas: por ser um produto com uma boa dose de imprevisibilidade, é importante ficar sempre atenta às cotações. Há diversas ferramentas que ajudam a consumidora a verificar a variação das taxas de câmbio, como as da UOL Economia, Investing.com e ADVFN Brasil. Além disso, há outras que comparam o valor ofertado por diversas casas de câmbio. O BC disponibiliza uma ferramenta que fornece o valor efetivo total (VET) médio cobrado por elas no último mês. O Melhor Câmbio e a Exchange Money são opções que oferecem essa cotação em tempo real.

– Cartão de crédito x pré-pago x dinheiro: tanto no cartão de crédito quanto no pré-pago, há cobrança de 6,38% de IOF na compra de moeda estrangeira. A vantagem do pré-pago, entretanto, é que a cotação do dólar é fechada no ato da compra e não no fechamento da fatura, como ocorre no cartão de crédito. “Com isso você evita os riscos da variação cambial e não se preocupa com a oscilação durante sua viagem”, explica Fialho. Já o papel-moeda, apesar de ser a opção mais barata, não traz a mesma segurança à viajante – que pode bloquear os cartões em caso de furto.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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