O que vale mais a pena: aluguel tradicional ou Airbnb?

O que vale mais a pena: aluguel tradicional ou Airbnb?

Plataforma que permite a qualquer pessoa alugar um cômodo ou imóvel por temporada, o Airbnb vem se popularizando no Brasil. Por meio dele, é possível reservar acomodações ao redor do mundo, com facilidade e rapidez.

É possível fazer reserva por dia ou mês, em sofás ou suítes luxuosas, em quartos coletivos ou ainda casas ou apartamentos inteiros: tudo depende do gosto e bolso do hóspede. A possibilidade de alugar um espaço inteiro tem feito muita gente com um imóvel disponível se perguntar se vale mais a pena alugá-lo por meio do Airbnb ou aluguel tradicional.

Perfil do anfitrião

Para responder a essa questão, é preciso entender, primeiramente, que os modelos de negócio são bem diferentes. O Airbnb foi criado como uma comunidade que liga viajantes em busca de hospedagem a pessoas com espaços disponíveis. A empresa foi fundada em 2008, nos EUA, e chegou ao Brasil em 2012. Além da questão financeira, há também o objetivo de proporcionar um contato mais real entre os turistas e a comunidade local.

Para quem tem interesse em colocar um espaço para locação, há anfitriões que alugam cômodos, que saem temporariamente do imóvel para disponibilizá-lo por inteiro ao hóspede e outros que não residem no local. Segundo dados da empresa, 70% dos anúncios ativos são de imóveis inteiros.

Atualmente, há mais de 100 mil anúncios espalhados em todos os estados do País.  Em média, o ganho anual de um anfitrião típico é de R$ 5.500 por ano, ainda de acordo com o Airbnb. Para a empresa, os anfitriões no Brasil tendem a hospedar ocasionalmente ao longo do ano e recebem uma renda extra modesta, mas significativa.

O que colocar na balança

Ao contrário do que ocorre quando passam o imóvel ao locatário, nesses casos, os proprietários continuam responsáveis pelas contas e manutenção do espaço.

“Quando coloca o seu imóvel para alugar no Airbnb, o anfitrião precisa arcar com as despesas mensais e disponibilizar algum conforto aos hóspedes – com mobiliário e limpeza adequada, por exemplo. Esses custos precisam ser considerados”, explica o economista da Fipe, Bruno Oliva.

Isso significa que, para chegar a um negócio que valha a pena financeiramente, é preciso colocar as contas no papel e comparar. O economista enumera três categorias a serem contabilizadas:

– Custos mensais: como a proprietária continua responsável pelas contas mensais do imóvel, gastos com IPTU, condomínio, luz e internet, por exemplo, devem ser somados. A plataforma também cobra uma taxa de 3% sobre o valor de cada reserva.

– Investimento e manutenção: é preciso entregar um espaço minimamente habitável ao hóspede. Portanto, se o local estiver vazio, será preciso investir em móveis e eletrodomésticos. Há também uma questão de nicho a ser considerada: dependendo da localização do seu imóvel, por exemplo, será necessário investir em condições mais ou menos luxuosas. Além disso, há hóspedes interessados em hospedagens mais completas e outros que preferem pagar menos e ter o básico. Ou seja, o seu público tem influência direta no investimento a ser feito no espaço. Também é preciso destinar uma verba para manutenção e limpeza do local.

– Risco de não alugar: por fim, é preciso considerar que não há garantias de que o seu imóvel permaneça alugado durante todo o mês. A sua renda, portanto, não é garantida.

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Para que o negócio seja vantajoso financeiramente, é preciso chegar a um preço que supere custos e riscos. O valor mensal a ser cobrado, portanto, deve ser consideravelmente maior que o de um aluguel.

Já quem está com um imóvel parado, devido, por exemplo, ao mercado imobiliário desaquecido, pode ter no aluguel temporário uma ótima saída enquanto não surge uma opção mais garantida. Nesse caso, também é importante contabilizar os gastos extras que terá com investimento e manutenção do local.

Para Mark Turnbull, diretor de locação do Secovi-SP, não só a questão financeira, mas a proteção legal também deve ser considerada na hora de tomar a decisão. “O Airbnb pode ser um negócio muito interessante para alugueis de temporada, mas se a pessoa pretende fazer disso uma renda mensal, é preciso considerar que está abrindo mão de garantias previstas por lei.”

Ele defende que a pouca burocracia é uma vantagem à proprietária, mas é preciso considerar os riscos, inclusive de danos à propriedade – que é cedida temporariamente a outra pessoa. O Airbnb oferece garantias financeiras aos anfitriões, mas é muito importante ler o regulamento e ponderar com calma se esse é o melhor negócio para você.

*Matéria atualizada em 13/09, às 12h. 

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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