Onde investir com a queda dos juros?

Onde investir com a queda dos juros?

A queda dos juros mudou o cenário para a renda fixa. E a investidora acostumada com uma rentabilidade perto de 1% ao mês precisou baixar as expectativas. Para quem tem uma predisposição maior a riscos, este pode ser o momento de experimentar aplicações um pouco mais arrojadas. Mas, se esse não é o seu caso, não é preciso se apavorar: com alguns cuidados, ainda é possível obter bons resultados na renda fixa.

“A Selic em níveis próximos de 8% ao ano, e caminhando em 2018 para um patamar próximo de 7%, acaba por reduzir de forma significativa a rentabilidade da renda fixa. É importante salientar, entretanto, que, com a queda da inflação, os juros reais [retorno depois de descontada a inflação] ainda são significativos para a investidora”, explica Walter Franco, professor de economia do Ibmec SP.

Neste texto, apresentamos, então, algumas opções de investimento que podem ser interessantes nesse novo momento e mostramos o que levar em conta para fazer bons negócios na já conhecida renda fixa. Confira.

1) Tesouro Direto

Há três tipos de títulos disponíveis no Tesouro Direto: o Tesouro Selic, o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ – aqui você entende melhor cada um deles. Hoje, é um fato: com a taxa básica de juros da economia brasileira em patamares mais baixos, o Tesouro Selic – aquele indicado para reservas de curto prazo – não está dando resultados como no passado. Mas isso não significa que essa ainda não seja uma boa opção de investimento, principalmente para quem precisa de liquidez – ou seja, a possibilidade de fazer o resgate quando quiser.

“É preciso lembrar que a inflação alta, como esteve no passado, corrói a rentabilidade das aplicações financeiras e que a queda dá uma margem maior ao Tesouro Selic”, defende Joelson Sampaio, professor de economia da FECAP.

Além disso, há outro fator a ser considerado. O economista-chefe da Infinity Asset Jason Vieira explica que, apesar de haver uma perspectiva de continuidade nos cortes da Selic, esse ciclo já começa a se esgotar. “Portanto, pensando mais à frente, os investimentos pós-fixados, como o Tesouro Selic, começam a se tornar opções mais viáveis de investimento novamente.” Esse cenário, por outro lado, começa a reduzir a força dos prefixados – entenda melhor aqui quando escolher uma ou outra opção.

A dica, no caso do Tesouro Selic, é pensar em um prazo um pouco maior de investimento, de mais de dois anos, para deixar os juros agirem e diminuir o impacto da tributação. Se der preferência ao Tesouro IPCA+ – indicado para planos de médio e longo prazo -, é preciso ficar de olho no prazo de investimento, já que ele só garante a rentabilidade combinada se o resgate for feito no vencimento.

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2) CDBs, LCIs e afins

A mesma recomendação dada ao Tesouro Selic vale para CDBs, LCIs e mesmo fundos DI. “A investidora mais conservadora, que prefere o baixíssimo risco da renda fixa, deve procurar aplicar a prazos maiores de forma a pagar menos IR sobre os ganhos”, coloca Franco.

Além disso, é preciso considerar que as características dos títulos privados variam muito de banco para banco e, por isso, uma boa pesquisa é fundamental. É preciso ficar atenta, por exemplo, à taxa de remuneração oferecida – bancos pequenos e médios costumam oferecer um melhor retorno -, liquidez e taxas cobradas.

Para quem tem dificuldade de fazer essas comparações por conta própria, Sampaio indica o aplicativo Renda Fixa, que faz essa análise por você – veja aqui outros aplicativos que também facilitam a vida de quem deseja investir.

3) Fundos multimercado

Para quem deseja explorar opções um pouco mais arrojadas, os fundos multimercado são uma boa porta de entrada. “Com a queda nos juros, eles se tornam grandes opções para retornos mais seguros, apesar de representarem riscos maiores do que os de renda fixa”, coloca Vieira.

Essa modalidade de fundo mistura ativos mais e menos arriscados em sua composição e, por isso, consegue controlar melhor os riscos. Mas isso não significa que eles não existam e há, sim, possibilidade de perda. Por isso, antes de tomar a sua decisão, é preciso fazer uma boa pesquisa entre as opções existentes e considerar o seu perfil de investidora.

“O investimento com maior risco e possibilidade de retornos mais significativos são interessantes alternativas para quem busca dedicar uma parcela de sua carteira para este fim. Minha sugestão é apenas colocar parte de seus montantes totais de investimento em fundos mais agressivos, como os multimercados”, coloca Franco.

O professor orienta ainda que se deve observar as taxas de administração e performance cobradas, definir bem o prazo de aplicação e, principalmente, não se precipitar com um eventual baixo rendimento. “A volatilidade faz parte do jogo, por isso, é aconselhado que se trabalhe com um prazo maior.” Veja aqui outros pontos a considerar na escolha de um fundo de investimento.

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4) Fundos de ações

Um pouco mais agressiva, essa pode ser uma boa opção para quem deseja conhecer o universo da Bolsa, mas não tem conhecimento e nem tempo suficiente para acompanhar o desempenho e, por isso, prefere terceirizar essa tarefa a um gestor. Da mesma forma, aqui vale uma boa pesquisa das opções e a consideração da sua disposição ao risco.

“Acredito em um período muito positivo para a economia brasileira nos próximos anos, no qual fundos multimercados e de ações, por exemplo, poderão ter bom desempenho no longo prazo. Mas a melhor opção será sempre a de se investir com cautela, escolhendo bem e cuidando para montar um portfólio diversificado”, orienta Franco.

5) Mercado de ações

Por fim, há o mercado de ações em si. É importante enfatizar que essa opção exige muito mais pesquisa e preparo por parte da investidora – veja aqui por onde começar. “Para quem está começando, indico a escolha de empresas mais maduras, que estão em setores mais consolidados da economia e com bom histórico de governança corporativa”, indica Sampaio.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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