Os efeitos do dólar alto na economia e o fortalecimento do PMDB com a crise política

Os efeitos do dólar alto na economia e o fortalecimento do PMDB com a crise política

*Naiara Bertão

Olá, pessoal. Tudo bem?

Na semana passada uma notícia chamou muito minha atenção: famílias que antes viajavam todos os anos para a Disney agora estão preferindo o Beto Carreiro World, em Santa Catarina. Como tudo na vida, há quem ganhe e quem perde e, com o dólar acima de R$ 4, quem sai perdendo é o Mickey. Os gastos de turistas brasileiros no exterior já caíram 25% este ano, o que mostra que o Réveillon deve ser regado a muita caipirinha e sol de 40 graus.

Com a valorização do dólar também fica mais caro comprar o novo iPhone 6s Plus, maquiagem da MAC, sapato Christian Louboutin e bolsas Prada. Mas, o mais interessante é que não é preciso ser ‘supermoderninho’ para sentir os reflexos do que está por trás do dólar a R$ 4. A oscilação do câmbio hoje está ligada à falta de confiança na capacidade do governo de arrumar a casa, pagar as dívidas em dia e controlar a crise política emergente.

Fim do mês no vermelho –Grande parte dessa desconfiança vem do problema fiscal. Por mais que a equipe econômica se esforce para fechar as contas no azul, o vermelho volta. No acumulado de janeiro a agosto a conta ainda está negativa, em R$ 1,1 bilhão. Desde o início da pesquisa do Banco Central, há 19 anos, a soma dos oito primeiros meses não ficava no vermelho.

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E na luta para fechar a torneira de gastos e aumentar as receitas, quem perde somos nós. Nos últimos meses foram anunciados reajustes do gás de cozinha, da gasolina, do diesel, da eletricidade e até de bebidas alcoólicas.  Agora está em discussão o aumento de impostos. Sobra pouco (ou quase nada) para o lazer e as comprinhas não programadas. A boa notícia é que as grandes cidades estão com mais programas gratuitos na agenda. A má é que o transporte público também aumentou.

Até para pedir o seguro desemprego está mais trabalhoso. A área social já sofreu um corte de R$ 25 bilhões no orçamento. Creches, cursos técnicos (como o Pronatec) e o PAC serão os mais afetados.

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Dança das cadeiras –O Congresso já apreciou 26 dos 32 vetos presidenciais enviados por Dilma, mas ‘bombas’ ficaram de lado, por enquanto. Duas questões importantes são o reajuste dos servidores do Judiciário em 78% e a extensão do aumento do salário mínimo a aposentados da Previdência Social – justamente no momento que a ordem é cortar.

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Também está pendente o veto a doações de empresas privadas a campanhas eleitorais. Isso sim vai dar o que falar nessa semana. A notícia que corre na capital federal é que Dilma está negociando com o PMDB poderes nunca antes dados e isso tem deixado muito gente preocupada. Cadeiras já começaram a rodar. Aloizio Mercadante saiu da Casa Civil e foi para o Ministério da Educação. O ex da pasta foi – Renato Janine – foi demitido.

Dilma precisará testará todo o seu networking e poder de convencimento nesta semana, com a reforma administrativa em mãos. Em momentos de poucos amigos, qualquer apoio é bem-vindo. O contrário também é válido. Dilma perdeu mais um aliado na semana passada. A ‘parceria’ com o PMDB levou a ‘Dilma Bolada’ a romper a amizade. O publicitário Jeferson Monteiro, idealizador do perfil Dilma Bolada, escreveu na sua conta: “Para ela (Dilma) só importa o apoio do PMDB e de parte do empresariado para que ela se mantenha lá onde está. Trocou o Governo pelo cargo. Não é o Governo que eu e mais de 54 milhões de brasileiros elegemos. Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão.” A agência contratada pelo PT para que Jeferson administrasse o perfil nas redes sociais da Dilma Bolada decidiu não renovar o contrato. Mais um apoio perdido.

Enquanto isso, a popularidade de Dilma está muito baixa. Pesquisa da CNI/Ibope mostrou que apenas 10% da população apoia seu início de mandato. Daqui três meses faremos o balanço do primeiro ano. Dilma, assim como nós, quer que chegue logo dezembro e ela possa descansar um pouquinho. E, para ela, a alta do dólar nem importa, ela sempre passa o réveillon na Bahia mesmo.

Fotos: Shutterstock

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Naiara Beltrão

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