Os prós e contras do consórcio

Os prós e contras do consórcio

“Quando tirei minha carta de motorista, não tinha condições para comprar um carro logo de cara. Optei por fazer um consórcio com parcelas de R$ 400, que cabiam no meu bolso. Numa delas dei um lance de R$ 6 mil para ser contemplada. Enquanto pagava as parcelas anteriores, guardava uma parte do meu salário para conseguir dar o lance e levar o carro. Estou muito feliz, porque peguei um carro zero sem que pesasse tanto no meu orçamento”, diz Daniela, 24 anos.

A história da Daniela é comum e muita gente conhece os benefícios de fazer um consórcio, mas só algumas pessoas topam tentar investir. Existem quatro maneiras básicas para conseguir um bem: comprando à vista, financiando em parcelas com juros, através de um leasing e consórcio.

O consórcio é a mesma coisa que comprar a prazo, mas sem juros. Parece interessante, mas o processo tem detalhes nas entrelinhas que temos que ficar atentas. Funciona da seguinte maneira: um grupo de pessoas se reúne para comprar um bem de mesmo interesse – imóvel, automóvel ou eletrodoméstico. Todos são administrados por uma empresa, que recebe o valor das parcelas. Durante o tempo de pagamento, acontecem sorteios e lances para apenas uma pessoa ser contemplada com a carta de crédito. Dessa maneira, todo mês você tem que pagar as parcelas, sem atrasos e ficar atenta aos sorteios.

Para assumir a dívida é necessário ter o dinheiro da parcela sobrando todo mês. Esse é o seu caso? Então o segundo passo para fechar um consórcio é procurar uma administradora autorizada pelo Banco Central que ofereça este tipo de serviço. Esta fase é muito importante, porque você estará assinando um contrato a longo prazo. É imprescindível tirar todas as suas dúvidas e ler atentamento ao contrato.

Feito isso, você entra automaticamente num grupo que tem o mesmo interesse que o seu – comprar um bem. Conforme acontecem o pagamento das parcelas, serão feitos sorteios e lances. Caso seja sorteada ou tenha oferecido um valor para ser contemplada, a pessoa recebe uma carta de crédito (em termos técnicos, ela é contemplada), o que dá a possibilidade de compra do produto escolhido anteriormente. Esta carta nada mais é do que um documento que sinaliza que você tem uma certa quantia autorizada para comprar aquele bem. Por exemplo, não é possível fazer um consórcio de carro e pegar a carta de crédito para dar de entrada num apartamento – neste caso, só é permitido comprar um carro.

É aí que a sorte entra! Se for contemplada e tiver a carta de crédito logo no início, você leva o produto antes que os demais e passa a pagar parcelas com menores valores. Há também a possibilidade de dar um lance para ser sorteado, ou seja, mediante um pagamento você passa na frente dos outros. O valor que você pagar de imediato para levar o produto é descontado do valor total da carta de crédito. Por exemplo, um carro custa R$ 30 mil e uma mulher resolve fazer um consórcio deste valor. Como tem um dinheiro guardado, decide levar o automóvel antes e dá um lance de R$ 10 mil. Seu lance é aceito pela administradora, mas a sua carta de crédito vale R$ 20 mil. O valor do lance contribui para você reduzir o total da dúvuda.

A possibilidade de as pessoas passarem na sua frente é uma das principais desvantagens do consórcio. Conforme você for deixada para o final da fila, pode ter de pagar o reajuste do produto. 

O lado bom é que não há cobrança de juros. Desta forma, você é “forçada” a se reeducar financeiramente e ter fundos de garantia para conseguir que a confiança do credor. O único problema é que pode demorar para ter o bem em mãos e usar como gostaria. Por isso, paciência!

Outro cuidado a tomar é ficar atenta à taxa de administração cobrada pela empresa que fechou o consórcio. As taxas embutidas (como a de administração) são sempre um perigo em todos os investimentos. Então para não cair nessa, faça uma pesquisa ao que será cobrado em várias instituições e como variam os preços. Na média, as administradoras de consórcio costumam cobrar uma taxa de 12% a 15%. Antes de optar pelo consórcio, veja se não consegue uma outra forma de financiamento mais barata…

O consórcio vale a pena para uma pessoa que quer comprar um bem, mas que não tem dinheiro total naquele momento, apenas boa parte. Então, valem para aquelas mulheres que têm dinheiro para pagar as parcelas e fazer um lance no meio no caminho. Assim serão contemplados logo no início, como no caso da Daniela.

Se você só tiver o dinheiro das parcelas, pode não ser um bom negócio, porque vai demorar para ser contemplada e pagará uma dívida por um bem que só utilizará bem depois. Estude se não é melhor buscar um outro tipo de financiamento. Não esqueça também de fazer uma análise minuciosa do grupo. Preste atenção nos lances que estão dando e no período escolhido por eles. Assim é certeza que não entrou numa furada.

Para não restar nenhum tipo de dúvida visite o site da Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio). No portal você consegue baixar cartilhas de Consórcio: uma poupança programada e FGTS no consórcio de imóveis.

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Carol Sandler

Fundadora e CEO do site, coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015). É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP

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