Portabilidade e renegociação de dívidas: entenda a diferença

Portabilidade e renegociação de dívidas: entenda a diferença

A portabilidade de crédito e a renegociação de dívidas aparecem como boas alternativas para quem está enrolada para pagar as contas ou interessada em encontrar taxas de juros mais atrativas no mercado. Essas modalidades permitem à consumidora pesquisar tanto no seu próprio banco como nos concorrentes para encontrar as melhores condições de pagamento.

Com interesse em receber de seus devedores ou atrair novos clientes, os bancos oferecem opções de negociação de dívidas, mas é preciso atenção. “Em um momento de escassez de crédito, aumento da inadimplência e juros altos, fica mais difícil encontrar bons negócios. Por isso, é importante pesquisar em diversas instituições”, explica Márcio Barros Souza, professor de finanças da IBE-FGV.

Essas negociações podem ser caminhos para evitar a inadimplência ou simplesmente pagar menos juros. Mas para garantir que não está comprando gato por lebre, é preciso pesquisar e ficar atento às regras de cada modalidade.

A portabilidade de crédito foi criada em 2006 pelo Banco Central e só ganhou um volume considerável de operações nos últimos três anos, explica Ione Amorim, economista e pesquisadora do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Essa modalidade visa incentivar a concorrência entre os bancos e, assim, reduzir as taxas de juros.

Ela nada mais é do que a transferência do saldo devedor de uma instituição para outra, sem alteração da modalidade de financiamento ou aumento do número de parcelas. A vantagem nesse caso, fica por conta da possibilidade de encontrar uma taxa de juros mais baixa no mercado.

Apesar de não poder estender o financiamento, a pessoa tem a opção de reduzir o número de parcelas. “Com o saldo devedor exposto por menos tempo aos juros, a consumidora será beneficiada financeiramente”, orienta Ione.

Outro ponto importante é que a portabilidade está disponível apenas para quem está em dia com os pagamentos da dívida. Para utilizar essa opção, seria necessário, primeiramente, quitar as parcelas em atraso.

Para quem pode ser vantajosa?
A opção pode ser uma boa para quem está em busca de taxas de juros menores para o seu financiamento. Nesse processo, não é permitido ao banco inserir novos encargos na negociação ou cobrar novamente o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Quem tem interesse em fazer a portabilidade, deve pesquisar as taxas de juros oferecidas por diversas instituições financeiras e encontrar uma que esteja disposta a “comprar” a sua dívida. Para negociar com o banco de destino, ela deverá apresentar informações detalhadas sobre o débito – como contrato, taxa de juros, saldo devedor atualizado e número de parcelas a serem pagas.

Com esses dados, a pessoa será submetida à análise de crédito e receberá uma proposta da nova instituição. Antes de decidir, é interessante apresentá-la também ao banco de origem, que pode oferecer uma contraproposta.

Para garantir que a negociação será vantajosa, é importante ficar de olho no Custo Efetivo Total (CET). “Não se deve olhar apenas a taxa nominal de juros e o tamanho das parcelas. É preciso entender o valor total a ser pago e o CET consolida essas informações”, explica Márcio.

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A principal diferença para a renegociação de dívidas é que, nesse caso, as condições do financiamento são alteradas. Nessa modalidade, é como se o cliente fizesse uma nova dívida, a partir de outra operação financeira.

A opção está disponível tanto para quem está com as parcelas em dia – mas tem interesse em rever as condições de pagamento – quanto para quem está inadimplente.

Para quem pode ser vantajosa?
A principal vantagem da renegociação é que o prazo de pagamento pode ser estendido. Essa modalidade pode ser interessante para quem tem várias dívidas, parcelas altas ou com taxas de juros elevadas, como de cartão de crédito ou cheque especial.

A renegociação mais usual é a “troca de dívidas”. Nela, o consumidor pode reunir os seus débitos e refinanciá-los em outra linha de crédito, a juros mais baixos e prazos mais longos – trocando uma dívida “cara” por uma “mais barata”. Nesse caso, também é fundamental observar o Custo Efetivo Total (CET).

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Outros cuidados…
– Não confunda portabilidade com renegociação. “Fique atento para ver se o credor não está vendendo um refinanciamento como portabilidade”, orienta Ione. Para caracterizar uma portabilidade, não se pode trocar a modalidade do financiamento, nem alongar o prazo de pagamento da dívida. Se uma dessas situações ocorrerem, o processo é caracterizado como renegociação e novas taxas poderão ser cobradas.

– Pesquise muito. Nunca abra mão de entender as suas opções e pesquise as condições oferecidas por diversos bancos, pois isso poderá lhe trazer bons resultados financeiros. Leia com cuidado todas as cláusulas antes de assinar qualquer contrato.

Tenha certeza de que conseguirá pagar as parcelas. Em qualquer renegociação, é preciso ter certeza de que conseguirá pagar as novas parcelas para não voltar a ter problemas financeiros.

– Procure orientação. Para pessoas com alto grau de endividamento, o ideal é procurar um intermediador para orientá-la no processo. O Procon e a Defensoria Pública, por exemplo, têm programas de auxílio a superendividados.

– Tenha cautela ao assumir novos débitos. Após a renegociação, Márcio orienta que é preciso investir no planejamento financeiro e ter cuidado com o orçamento, para garantir que conseguirá quitar as parcelas.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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