Primeiros passos para começar a investir no mercado de ações

Primeiros passos para começar a investir no mercado de ações

Se você está pensando em investir no mercado de ações, essa pode ser uma boa hora. A taxa de juros baixa favorece o investimento. E, com a perspectiva de crescimento econômico, mais investidores estrangeiros são atraídos para o País. Sempre que falamos em investimentos de renda variável, é importante frisar que você deve entender se esse tipo de investimento combina com o seu perfil de investidora. Entender isso é fundamental antes de dar qualquer passo. Se o seu perfil não estiver alinhado com esse tipo de investimento, de nada adiantam condições favoráveis no mercado.

Porém, essa é uma modalidade que exige muito mais pesquisa e preparo por parte da investidora. “A complexidade desse mercado é muito superior à do mercado de renda fixa. A primeira decisão a tomar é se fará isso sozinha, por conta própria, ou se irá investir coletivamente, mediante adesão a fundos ou clubes de investimento”, explica Marcia Dessen, diretora da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar).

Confira abaixo dicas de como começar a investir no mercado de ações.

Entenda as diferenças entre mercado financeiro e mercado de capitais

Nesta modalidade, existem dois grandes mercados de intermediação de recursos financeiros: o mercado financeiro e o mercado de capitais. No mercado financeiro, os investidores emprestam dinheiro para as instituições financeiras por intermédio das tradicionais aplicações em renda fixa (Poupança, CDB, LCI, LCA) e recebem juros. “As instituições, por sua vez, emprestam para pessoas e empresas que precisam de dinheiro para suprir diversas necessidades de caixa. Ganham o famoso spread, diferença entre a taxa de juros paga aos investidores e cobrada dos solicitantes de crédito. O custo da intermediação resulta em menor rentabilidade para os investidores e maior custo para quem toma o empréstimo”, comenta Marcia.

Já no mercado de capitais, as grandes empresas abrem seus capitais e dispensam a intermediação bancária ao vender ações para investidores dispostos a apostar no crescimento e rentabilidade da empresa. “Quem investe não sabe o quanto vai ganhar, por isso são conhecidas como operações de renda variável. Mas os investidores acreditam que vão ganhar mais do que nas operações de renda fixa”, esclarece Marcia.

Investir individualmente x coletivamente

Para investir individualmente, basta abrir uma conta em uma corretora de valores ou banco que ofereça esse serviço e começar a operar. Você deve responder ao API – Análise do Perfil do Investidor – e descobrir em qual categoria de investidora você se encaixa.

Se decidir investir coletivamente, pesquise e encontre um fundo de investimento que adote uma política de investimento semelhante à que tem em mente.

“Quem optar por investir sozinha precisa buscar ainda um bom conhecimento sobre a tributação das aplicações em renda variável. Compete ao investidor calcular o ganho de capital e recolher o imposto de renda devido no mês subsequente ao da venda. E mais tarde, na declaração de ajuste anual, consolidar todas as transações realizadas durante o exercício fiscal. Dá trabalho, mas vale a pena”, pontua Marcia.

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Categorias de investidora

São três categorias de investidora: a conservadora prioriza a segurança e a liquidez nos investimentos, ao invés da alta rentabilidade. A moderada é a investidora que gosta da segurança de uma renda fixa, mas quer diversificar a carteira de investimentos. Por fim, temos a agressiva, que busca o máximo de retorno possível, sem receio dos riscos.

Procurar uma corretora que tenha uma equipe técnica pode te ajudar a escolher qual se encaixa melhor em seu perfil, já que não existe tempo nem valor mínimo para investir.

Para tomar a decisão, deve-se levar em consideração o seu perfil de investidora, o risco que você está disposta a assumir, a quantidade de capital e o tempo que pretende manter o investimento. O analista vai orientar, mas quem toma a decisão é você.

Precauções ao investir

A dica de Marcia é começar com 5% do capital disponível para testar o mercado e aprender com a experiência. “E se autoconhecer, avaliar como se sente na volatilidade de preços desse mercado. Acima de 20% da carteira em ações é considerada uma estratégia agressiva de investimento. Pense em um tempo bem longo. Embora a liquidez seja diária, ou seja, as ações (e cotas de fundos) podem ser vendidas a qualquer momento, talvez seja necessário esperar alguns anos para colher o resultado esperado.”

“É famosa a história de um grupo de senhoras norte-americanas, donas de casa, que tiveram excelente retorno na carteira de investimento que montaram, superando inclusive o desempenho de investidores profissionais. Sabe como elas escolhiam as ações para investir? Só compravam ações de empresas dos seus produtos preferidos de consumo. Se não compravam determinada marca de sabão em pó, não compravam ações da fabricante. Investiam nas marcas que invariavelmente, a despeito do preço, não deixavam de entrar no carrinho de compras da família”, conclui Marcia.

Dicas para buscar conhecimento

Marcia lista, ainda, três fontes de conhecimento para quem quer começar a investir no mercado de ações.

  • A CVM Comissão de Valores Mobiliários é o órgão regulador e fiscalizador desse mercado e oferece um bom site, com muita informação ao investidor.
  • A B3 (antiga BM&FBOVESPA), ambiente onde são negociadas as ações, também oferece muita informação sobre esse mercado.
  • Na internet a investidora encontra uma centena de informações. Mas é preciso cuidado para filtrar. No início, estabeleça relacionamento com uma corretora de confiança e procure aprender com ela.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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