Quando os filhos precisam cuidar dos pais

Quando os filhos precisam cuidar dos pais

*Diana Benfatti

Os filhos crescem, se tornam independentes e… de repente precisam apoiar os pais financeiramente. Isso não estava nos planos dos pais, muito menos no dos filhos. Vai contra o curso natural da vida, mas acontece, e muito. A sociedade ainda não conseguiu se ajustar ao aumento abrupto na expectativa de vida nas últimas décadas. Invariavelmente, nossos anos produtivos custearão todos os nossos anos de vida. Mesmo sabendo que não somos capazes de prever nossas necessidades futuras específicas, temos a certeza de que é desejável envelhecer preservando a nossa independência, liberdade e poder de decisão. Certamente são fatores essenciais para continuar a nossa trajetória com qualidade de vida e paz de espírito – resta entender de que forma podemos nos antecipar a esse futuro.

Os jovens almejam ganhar independência e sustentar a própria família. Muitas vezes também planejam cuidar de seus pais, apoiá-los e conviver com eles em sua velhice – mas poucas vezes existe o plano de contribuir para o seu sustento. Essa situação costuma ser uma surpresa, impactando a vida financeira dos filhos e ocasionando instabilidade emocional e desequilíbrio nas relações familiares. Quando os filhos são casados, a relação a dois pode ser prejudicada por discordâncias entre o casal sobre contribuições financeiras para os sogros, dependendo do regime de bens no casamento, convicções de cada um e preocupações que possam existir sobre o futuro dos filhos. É difícil falar sobre envelhecimento, dependência, incapacidade, morte. No entanto, essa relação de amor gera um laço de responsabilidade mútua, tornando necessária a preparação para situações futuras diversas, onde o diálogo é parte essencial do processo.

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Há muitos fatores que podem gerar a necessidade de apoio financeiro dos filhos aos pais, sendo a ausência de um plano de aposentadoria o mais óbvio deles. Apesar de ser previsível e natural, os jovens consideram difícil planejar esse futuro que parece distante, pois estão focados em ganhar a vida no presente. Mas a realidade é que precisamos ter um patrimônio acumulado que possa gerar a renda necessária para nos manter nos anos improdutivos. Isso implica em renunciar parte da renda no presente, de forma disciplinada, para ter uma vida tranquila e segura no futuro. E quanto mais cedo se inicia essa poupança, mais tempo teremos para acumular e investir esse patrimônio, portanto menor será a renúncia.

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Uma vida mais longa aumenta também a chance de que situações inesperadas surjam. O impacto psicológico desses eventos vem junto com o impacto financeiro, que felizmente pode ser minimizado através do planejamento financeiro. Quando a família depende do sustento de provedores, no caso de sua morte ou invalidez é necessário ter liquidez imediata e futura suficiente para o sustento dos dependentes. Caso não haja um patrimônio que possa promover essa liquidez, os seguros de vida garantem essa renda de forma instantânea. De forma similar, há seguros patrimoniais que reparam perdas por conta de desastres ambientais ou incêndios. Um seguro saúde adequado pode ressarcir dispêndios maiores com doenças e acidentes.

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O avanço da idade aumenta a chance de perda de emprego, ocasionando a cessão imediata da renda, da mesma forma que a falência de negócios. A forma mais sensata de abrandar esses riscos é constituindo uma reserva de emergência. Este é um investimento cujo objetivo é garantir a estabilidade financeira quando a situação foge de nosso controle, seja quando a renda cessa ou quando há gastos inesperados e inadiáveis. É inclusive uma forma de obter segurança para permitir a tomada de decisões positivas para a vida, mas que envolvam algum risco, como a mudança de carreira. Esse deve ser o primeiro investimento a ser constituído por uma pessoa, com baixíssimo risco e possibilidade de resgate imediato, podendo chegar ao equivalente a 12 meses de gastos mensais. Quanto maior a imprevisibilidade da renda e dos gastos, maior deve ser a reserva.

Existe a situação em que o possível sustento de nossos antecessores é uma escolha. Caso haja maior capacidade de geração de renda por parte dos filhos e existindo o desejo de promover mais qualidade de vida aos nossos pais, isso pode ser um objetivo a ser considerado em nosso próprio planejamento financeiro. Para tanto, é necessário tomar consciência das condições financeiras deles para planejar quantitativamente e a partir de qual momento poderá ocorrer essa ajuda. É importante conhecer detalhadamente as coberturas do plano de saúde, se houver, pois as despesas médicas podem aumentar muito com a idade, podendo ocasionar desembolsos inesperados. E inclusive pode ser avaliada a possibilidade de incluir os pais como dependentes na declaração de imposto de renda, tomando o cuidado de declarar também a renda deles. Quando o modelo de declaração é a completa, gastos com saúde dos dependentes podem ser abatidos do imposto a ser pago.

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Caso os pais necessitem de cuidados em período integral, torna-se necessário tomar a difícil decisão de como estruturar esses cuidados. Qualquer escolha implica em novos gastos financeiros, seja abdicar da própria carreira, arcar com o custo de possíveis cuidadores ou de uma casa de repouso. A reflexão antecipada sobre essa necessidade, em um momento em que é possível contar com a razão de todos, pode ser essencial para garantir a estrutura da família. Não vale a pena correr o risco de tomar toda a responsabilidade da decisão para si, isentando os próprios pais desse processo. O impacto de abdicar da própria carreira pode ser importante, afetando a satisfação pessoal e o futuro das gerações seguintes. Igualmente pode ser muito difícil  lidar com a culpa de não participar ativamente dos cuidados, deixando a responsabilidade para terceiros.

A relação entre pais e filhos é rodeada de fatores emocionais, afetivos, memórias, planos para o futuro. E todos queremos ter mais momentos felizes, mais lembranças positivas. As questões financeiras não devem atrapalhar essa busca pela felicidade. Pelo contrário, finanças bem planejadas são fonte de tranquilidade, segurança e auto-confiança. O planejamento financeiro evita as surpresas financeiras e contribui muito para a manutenção de relações saudáveis com os familiares e uma vida mais feliz. Faça o seu planejamento financeiro e revise-o periodicamente, garantindo sua adequação ao seu plano de vida em todos os momentos.

Diana Benfatti, CFP é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP®(Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: dianabenfatti@attimofinancas.com.br

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