Salário atrasado: como se virar?

Salário atrasado: como se virar?

Só quem já teve seu salário atrasado sabe a dor de cabeça que isso causa – e, infelizmente, a situação é cada vez mais comum graças à crise econômica, que vem abalando principalmente empresas menores. As contas vão se acumulando e logo bate aquela ansiedade, afinal, muitas vezes o empregador sequer dá uma previsão de quando o dinheiro cairá na conta.

Foi o que aconteceu com a jornalista Carolina Bossoni, que ficou a ver navios por muitos meses. “Não eram muitos dias de atraso, mas eram suficientes para que eu tivesse que pagar minhas contas em atraso e arcar com as multas e juros. E isso acontecia todo mês”, relata.

Por sorte, Carolina – que na época estava na faculdade – ainda contava com a pensão de seu pai, mas ela era suficiente para arcar apenas com pequenas despesas, como alimentação, material da faculdade e conta do celular. “Na época, eu, minha mãe e minha irmã dividíamos todas as contas de casa igualmente, desde a parcela do apartamento até as contas de água e luz. Elas pagavam as contas e depois, quando eu recebia, eu lhes pagava. Então, sempre estava devendo dinheiro para elas”, diz.

A jornalista reconhece que se não fosse o apoio familiar, não teria como tomar a decisão de pedir demissão. Na época, ao fazer o pedido para sua chefe, até recebeu uma proposta de promoção – que não aceitou, afinal, não adiantaria receber mais se o salário continuasse sem cair na data que deveria.

“Na minha opinião, atrasar o pagamento é o pior desrespeito que um patrão pode ter com alguém que dedica o dia todo trabalhando para ele, porque é uma mensagem clara de que ele não liga se você tem contas a pagar ou dinheiro para alimentar sua família”, desabafa.

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Como se virar se o salário atrasar

A atitude de Carolina de pedir dinheiro para seus familiares pode ser a alternativa mais barata, desde que a situação seja temporária. “No entanto, deixe tudo combinado de antemão, para não gerar nenhum mal estar com a família”, ensina Carol Ruhman Sandler, fundadora do Finanças Femininas e coach financeira.

Antes de mais nada, é preciso checar com o RH da empresa se existe uma data de previsão de pagamento – é nela que você se baseará para se organizar financeiramente. Então, corte todos os gastos que não sejam essenciais e priorize o pagamento de algumas contas, assim como a compra de alimentos e mantimentos básicos. Anote todos os valores e taxas de juros de todas suas contas, assim, você terá maior controle sobre as dívidas e saberá quais priorizar.

“Financiamento de automóvel e imóvel são prioridade, pois com o atraso, você corre o risco de ter o bem tomado”, afirma Carol. Em seguida, a prioridade deve ser a fatura do cartão de crédito e o cheque especial, que têm juros altíssimos.

Fique de olho também nas contas de luz e água, que sofrem multa de 2%, juros de 1% e atualização monetária – e, se você passar certo tempo sem quitá-las, as empresas podem cortar os serviços sem necessidade de aviso prévio. Se os seus filhos estudam em escola particular, verifique a multa especificada no contrato, converse com a instituição para explicar a situação e tente um acordo.

Em último caso, pode ser necessário recorrer a um empréstimo. “Mas apenas se as taxas de juros forem baixas. Neste caso, tente conseguir um empréstimo consignado junto à empresa ou então um empréstimo pessoal – mas fique de olho no CET, o custo efetivo total da dívida”, aconselha Carol.

Busque seus direitos

A empresa tem até o quinto dia útil de cada mês para efetuar o pagamento. Caso demore mais do que isso, é sempre aconselhável negociar com os patrões, tentando entender o motivo do atraso e também colocando seu descontentamento com a situação.

Porém, muitas vezes, apenas a Justiça consegue resolver a situação.
“O Tribunal Superior do Trabalho já considerou que o atraso de 2 meses seria suficiente para o reconhecimento de que a rescisão por culpa do empregador é justa”, aponta Verônica Filipini Neves, advogada trabalhista e sócia do escritório Ferreira de Mello, Neves e Vaccari Advogados Associados.

A especialista se refere à rescisão indireta, que acontece quando a empresa descumpre o contrato de trabalho e é denunciada. “Neste caso, a trabalhadora pede demissão por causa do descumprimento de obrigações contratuais por parte do empregador, que deve pagar as verbas rescisórias como se ela tivesse sido dispensada sem justa causa”, explica. Isso inclui saldo de salário, aviso prévio, 13º salário, férias (com adicional de 1/3), FGTS e multa de 40% sobre o saldo do FGTS.

A recomendação para que os Tribunais reconheçam o problema, nestes casos, é notificar a empresa previamente, avisando o motivo da demissão, ou propor a ação trabalhista até 30 dias depois da rescisão.

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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