Selic em queda: como isso impacta seu bolso e investimentos?

Selic em queda: como isso impacta seu bolso e investimentos?

Mais uma vez, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic – dessa vez em 0,75 ponto percentual, caindo para 7,50% ao ano. Esse é o nono corte consecutivo este ano. O anúncio aconteceu nesta quarta-feira (25) e este é o menor patamar da taxa básica de juros desde abril de 2013.

Isso aconteceu porque um dos papéis da taxa básica de juros dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. Como o IPCA já está em queda, não haveria motivos para a Selic continuar alta e, por isso, o Copom decidiu reduzi-la novamente – para entender mais como a Selic impacta sua vida, clique aqui.

Se você é investidora do Tesouro Direto, especialmente do Tesouro Selic, sabe que essa taxa é a base de seus rendimentos. Porém, ela baliza, basicamente, todos os investimentos de renda fixa – incluindo CDBs, LCIs, LCAs e demais títulos do Tesouro. Então, o corte da Selic significa que você perderá dinheiro? Vamos com calma.

Corte da Selic e seus investimentos

Neste cenário, existem duas possibilidades: continuar aplicando em renda fixa ou pensar na renda variável. “É provável que algumas investidoras acabem buscando algo mais arrojado, como fundos imobiliários. Mas não acho que elas farão movimentos bruscos. Elas apenas considerarão outras oportunidades”, avalia Silvio Paixão, professor de Análise de Cenários Econômicos e Macroeconomia dos cursos de MBA da Faculdade FIPECAFI.

Por isso, se você se considera uma investidora mais ousada, existem formas de explorar o mundo da renda variável, como os fundos imobiliários e COEs. No entanto, essa escolha depende mais do seu perfil de investidora do que de sua vontade de fazer o dinheiro crescer. Além disso, como o cenário econômico ainda não é tão favorável, será difícil conseguir rendimentos tão altos quanto esperamos. Clicando aqui você confere algumas características necessárias para ingressar nesse mundo.

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“O público da renda fixa é mais conservador e está em busca de um bom custo-benefício. Quando saímos dessa seara, podemos até conseguir uma rentabilidade maior, mas é preciso saber que também correremos um risco maior”, pondera Anderson Pellegrino, professor de Economia da IBE-FGV.

Se você faz parte do segundo público, não há motivo para se desesperar: a verdade é que investimentos de renda fixa ainda continuam uma boa opção. Para entender, precisamos explicar a diferença entre os chamados juros nominais e juros reais. Enquanto a primeira taxa é aquela declarada – no caso da Selic, 7,50% a.a. –, a segunda diz respeito ao que realmente você colocará no bolso quando subtrair a inflação. Como o IPCA também está em queda, os juros reais não estão tão baixos quanto se imagina.

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“Se subtrairmos a inflação dos juros nominais, veremos que ainda temos de 4,5% a 5% de juros reais, o que é uma ótima rentabilidade. Por isso ainda sou muito entusiasta de produtos como o Tesouro Direto”, aponta Pellegrino.

Ou seja, não escolha seus investimentos apenas pelo que você acredita que eles renderão mas, sim, considerando seu perfil de investidora.

Cuidado com as armadilhas

Como a Selic baliza as demais taxas de juros do mercado, as taxas cobradas no crédito para a consumidora final também acabarão afetadas. Mas não se iluda: essa queda acontecerá, mas não necessariamente na mesma proporção. “A formação das taxas no sistema financeiro também incluem fatores como os níveis de inadimplência de quem já tomou crédito. Ou seja, se outras pessoas não pagaram, as instituições compensarão isso em quem ainda pedirá”, explica Pellegrino.

Por isso, ainda é necessário pisar no freio ao usar o cheque especial, cartão de crédito e ao pedir empréstimo. Na verdade, ainda é preciso segurar o consumo. De acordo com Paixão, a queda da inflação, nesse caso, não aconteceu porque o cenário econômico está ótimo mas, sim, porque as pessoas ainda estão com receio de consumir.

“Ainda há uma situação de insegurança grande, especialmente por causa da renda menor e do desemprego. Essa incerteza exigirá que as pessoas tenham mais parcimônia ao decidir onde gastarão seu dinheiro para, no mínimo, preservarem o que têm”, alerta o especialista.

O docente lembra que é preciso readequar o padrão de vida à nova situação financeira para não acabar em uma fria. “Estamos vendo as autoridades vendendo perspectivas favoráveis, mas nunca vi tantas placas de ‘vende-se’ em imóveis na rua, nem tantos negócios fecharem e deixarem de gerar empregos. Ainda vai demorar muito para nos recuperarmos, e isso acontecerá numa intensidade menor do que a desejável”, opina.

Por isso, apesar da queda da Selic e da inflação, a cautela ainda é sua melhor amiga. Lembre-se de guardar dinheiro para garantir um futuro mais seguro e de aproveitar o agora de maneira responsável.

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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