Selic sofre novo corte e chega a 6,75%, menor desde 1986; como isso te afeta?

Selic sofre novo corte e chega a 6,75%, menor desde 1986; como isso te afeta?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic pela 11ª vez consecutiva, que agora passou de 7% para 6,75% ao ano – a menor de toda a série histórica, iniciada em 1986. A decisão, que já era esperada pelo mercado, foi anunciada na última quarta-feira (7).

A taxa básica de juros tem caído tanto porque seu principal papel dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. Como o IPCA já está em queda (chegou a 0,29% neste mês, veja mais aqui), não haveria motivos para a Selic continuar alta. Ao anunciar a decisão, o Copom também afirmou que, com o atual cenário econômico, o mais adequado é encerrar o ciclo de cortes na taxa.

Porém, isso não significa que a taxa realmente ficará no patamar em que está. “Ela não tende a subir até o final do ano, mas pode ser que ainda caia para 6,50% ao ano. A inflação está bem baixa, então, ainda há espaço para mais redução”, afirma Joelson Sampaio, professor de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

Impacto da Selic nos seus investimentos

As investidoras em renda fixa podem ver essa notícia com muita cautela, especialmente aquelas com aplicações no Tesouro Selic – já que, como o nome indica, a taxa base da economia também baliza seus rendimentos.

Na teoria, isso poderia significar um menor retorno nos investimentos de renda fixa, o que deixaria os de renda variável mais atrativos. Porém, isso não significa que você deve correr para a bolsa de valores.

Para entender, precisamos explicar a diferença entre os chamados juros nominais e juros reais. Enquanto a primeira taxa é aquela declarada – no caso da Selic, 6,75% a.a. –, a segunda diz respeito ao que realmente você colocará no bolso quando subtrair a inflação.

selic-queda-6,75-investimentos-tesouro-direto

Em que investir a partir de agora?

“O importante para a investidora é olhar o IPCA, que mede a inflação, para ter noção exata do retorno para seu bolso”, explica Carol Sandler, educadora financeira e fundadora do Finanças Femininas. Como o IPCA também está em baixa, os juros reais não estão tão baixos quanto se imagina.

Na verdade, segundo o ranking do site MoneYou em parceria com a Infinity Asset Management, o Brasil ainda é o 5º país com maior juro real do mundo, perdendo apenas para Argentina, Turquia, Rússia e México.

Ou seja, não escolha seus investimentos apenas pelo que você acredita que eles renderão mas, sim, considerando seu perfil de investidora.

Por isso, se você for mais conservadora, tudo bem: ainda é possível fazer o dinheiro crescer na renda fixa. A dica de Sampaio é, no Tesouro Direto, preferir os títulos LTN (prefixados) para o curto prazo e, para médio e longo prazo, IPCA+. Entre os investimentos privados, o professor aposta nos LCIs e LCAs, que são isentos de Imposto de Renda e apresentam rentabilidade bastante atrativa.

Se você tem perfil arrojado e lida bem com perdas, pode ser uma boa pensar na renda variável. é Começar aos poucos pode ser uma boa, e algumas opções são os COEs e fundos imobiliários. Depois, você pode conferir esse vídeo, onde a Carol ensina as palavras mais usadas na bolsa de valores, para você já ir se acostumando:

Mesmo investindo em renda variável, é sempre importante manter parte das suas aplicações em renda fixa para ter uma garantia.

Crédito mais barato

Minutos após a queda da Selic, os bancos Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander anunciaram uma nova redução das taxas de juros cobradas no crédito para pessoas físicas e empresas, de acordo com o portal de notícias G1.

Claro que, como diria o tio do Homem Aranha: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Com o crédito mais barato e acessível, também é mais fácil perder a linha e acabar endividada sem real necessidade. Por isso, pense duas vezes antes de tomar um empréstimo ou pagar apenas o mínimo da fatura do cartão de crédito.

Além disso, há a questão do spread bancário, que nada mais é do que a diferença entre os juros que ele oferece para seus investidores – e quanto ele cobra para o consumidor nas operações de crédito. Em outras palavras, o que você paga em juros em um empréstimo pessoal, por exemplo, é muito muito mais do que o que você recebe em juros em uma aplicação financeira. O spread bancário brasileiro é considerado altíssimo. Isso significa que, mesmo com a redução da Selic, tomar crédito não é brincadeira.

Essa cautela se estende para o jeito que você investe e como gasta seu dinheiro, afinal, apesar dos índices econômicos apontarem uma recuperação, o desemprego no Brasil é o maior da América Latina e Caribe, segundo a nova edição do Anuário Estatístico da Comissão Econômica da ONU para a região, a CEPAL, divulgada na última quarta-feira (7). Fique atenta!

Fotos: Fotolia

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

close