Trabalhar viajando: as dores e os sabores de ser uma nômade digital

Trabalhar viajando: as dores e os sabores de ser uma nômade digital

*Nathalia Marques

Liberdade. Talvez a palavra mais sucinta que possa definir o que me move neste mundo, inclusive na minha vida de trabalhar viajando. Nunca fui uma pessoa conformada com regras e controles. Jamais consegui aceitar que a vida se resume em trabalhar para pagar contas e que devemos seguir um cronograma cheio de missões na vida que, basicamente, se resume a fazer uma faculdade, encontrar um bom emprego, casar, ter filhos e se aposentar.

Sempre achei tudo isso muito chato e nunca quis que minha vida fosse resumida a essas metas. Deve ser por todos esses motivos que acabei me tornando uma nômade digital. A possibilidade de conhecer o mundo, pessoas, vivenciar outras culturas, não ter uma rotina totalmente padronizada e ter liberdade é algo que me move e que ser nômade digital me proporciona.

Exatamente quando isso começou? Difícil explicar, pois minha vida foi seguindo para esse caminho e quando me dei conta já ficava mais na estrada do que em casa. Basicamente, posso explicar minha jornada da seguinte forma: eu tinha acabado de me formar, já trabalhava como freelancer home office e me dedicava ao meu site M pelo Mundo.

De tempos em tempos, eu viajava tanto para sair da rotina quanto para conseguir conteúdo para alimentar o site. Contudo, desde o começo do ano passado, percebi que minhas viagens estavam cada vez mais próximas uma da outra. Atualmente, eu viajo, volto para casa, fico por mais ou menos um mês e sigo para um novo destino. Foi então que me dei conta de que eu já era uma nômade digital.

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Mas afinal, o que é um nômade digital?

Nômade digital é uma pessoa que trabalha remotamente. De forma geral, é um profissional que só precisa ter um notebook e internet para ganhar dinheiro e que pode fazer seu trabalho de qualquer lugar do mundo. Sendo assim, a pessoa pode viajar e trabalhar ao mesmo tempo.

Ok, eu sei que isso parece incrível e realmente é (obrigada, tecnologia!). Entretanto, nem tudo é tão perfeito e fácil. Confesso que minha jornada como nômade digital foi bem natural. Mas, quase sempre, não é assim. Muitas pessoas precisam deixar seus trabalhos de carteira assinada, encontrar clientes e juntar grana para só assim conseguirem se tornar nômades. Agora já não parece tão fácil, certo?

Como é ser nômade digital e trabalhar viajando

Além disso, ser nômade digital é também ter que aprender a ter disciplina para entregar os jobs no prazo. Imagine que você está em um destino maravilhoso, que conheceu pessoas incríveis e tudo o que você quer é passear muito. Imaginou? Agora pensa que você não pode fazer isso, no momento, pois tem trabalhos para entregar. Normalmente, é assim que funciona.

Ah, ainda temos que lidar com a falta de estrutura para trabalhar. É comum ter que trabalhar sem um escritório adequado, com pessoas falando o tempo todo (em hostel, por exemplo, funciona assim) e com uma internet que não é lá mil maravilhas. Pois é, nem tudo é perfeito, eu disse. Como se não bastasse, também rola a saudade dos amigos e da família.

Eu não sofro muito disso, pois como já mencionei, após cada viagem, volto para casa. Deve ser porque sou canceriana e preciso da minha casinha e da minha família por um tempo. Contudo, sou uma exceção. O mais comum é encontrar nômades digitais que já não possuem mais um lugar para voltar, pois o mundo se transformou em suas casas.

Outro fato sobre ser nômade digital é que inevitavelmente temos que praticar o desapego. Você pode pensar – “poxa, bacana, vivemos em um mundo tão material!” De certa forma você tem razão. No entanto, não é só de roupas que estou falando – isso também passa pelo desapego. Falo de trabalhar somente para viajar e do desapego de não ter um objetivo tradicional, ao menos no agora, de comprar uma casa, um carro e etc. Basicamente, o único objetivo é ser livre para conhecer novos lugares e ter memórias incríveis pelo resto da vida.

Vale a pena tudo isso? Bom, se você também é como um passarinho que não se conforma em viver na gaiola, pode apostar que sim!

*Nathalia Marques é jornalista de formação e conta passagens por diversos veículos de imprensa, mas foi como repórter de turismo que encontrou sua paixão. Ela também é feminista e em 2015 decidiu juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o M pelo Mundo, site de informações e dicas de viagem para mulheres.

Fotos: Fotolia

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