Vale a pena investir em franquia em tempos de crise?

Vale a pena investir em franquia em tempos de crise?

Diante da crise econômica do país, o mercado de trabalho diminuiu e o desemprego aumentou. Em 2015, muitas empresas cortaram mão de obra, reduziram a produção e, consequentemente, encolheram os lucros. Em meio a este cenário negativo, o setor de franquias aparece no sentido contrário, registrando crescimento e levantando a pergunta: será que vale a pena investir em franquias em tempos de crise?

Em números, este parece ser um bom negócio. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o crescimento das franquias em 2015 foi de 8,3%, atingindo o lucro de R$ 139 bilhões para o setor.

Já para o professor da IBE-FGV e consultor em gestão, Alcidney Sentalin, a resposta ideal seria: depende. “Se você fizer o investimento junto a um plano de negócio, visando crescimento, sim. Se você fizer como uma falta de opção, não vale a pena”, argumenta o profissional.

Para ele, quem tem capital e vontade de administrar o negócio deve aproveitar as oportunidades. Mas sempre com cuidado e planejamento, para não ser vítima da crise.

Sem planejamento, há riscos

Segundo Sentalin, a compra e abertura de uma franquia exige um planejamento estratégico tão detalhado quanto a de uma nova empresa. “É preciso calcular quanto você tem de capital e quanto esta franquia vai demandar dele”, explica o consultor.

O especialista reforça que é preciso planejar como bancar despesas de funcionamento como o salário dos funcionários, manutenção e despesas de luz, água, aluguel e telefone. Este planejamento é essencial enquanto a empresa ainda não estiver gerando lucro para dar retorno ao investimento.

“Enquanto não chegar nesse momento, é preciso administrar as vendas e criar capital de giro”, diz Sentalin. Neste aspecto, o plano de negócios também é importante para estruturar o crescimento da franquia.
A franquia como uma solução para o desemprego

Uma das consequências da crise econômica é o desemprego. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de desempregados no Brasil chegou a 9,1 milhões no trimestre de setembro a novembro de 2015. Isto representa um aumento de 41,5% na comparação com o mesmo período, em 2014.

Para 2016, a previsão do IBGE, por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), é que a taxa de desemprego do país chegue a 10% ainda no primeiro trimestre do ano.

Com mais gente qualificada e com o FGTS para investir, tornar-se a própria chefe e montar um negócio pode parecer tentador. No entanto, se você tem receio de montar um empreendimento do zero neste momento, a franquia tem a vantagem de já ter nome e modelo de negócio consolidados.

Sentalin ressalta que muitos profissionais qualificados têm sido demitidos em função da crise, não por serem desnecessários. “Sendo assim, eles têm perfeitas condições de se manter no mercado por conta própria. E é bom voltar a atuar vinculando-se a uma franquia para ter a estrutura necessária para seu trabalho”, aconselha o especialista.

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O segmento deve ser mais determinante do que a popularidade da franquia

O consultor observa uma tendência no setor de franquias: as empresas que podem ser administradas em home office ou exigem infraestrutura menor (como as lojas em formato de ilhas nos shoppings), têm atraído mais a atenção dos aspirantes a franqueados. São investimentos mais baratos e lucrativos.

No entanto, Sentalin alerta: “É preciso lembrar que a crise econômica é forte, mas também passageira. O crescimento de um ramo junto à crise também pode ser passageiro”.

Para ele, é fundamental que a escolha da franquia seja alinhada com a especialização da investidora ou tenha afinidade com o que ela gosta de trabalhar. “Avalie seu perfil profissional e administrativo para saber se há sinergia com o negócio em vista”, aconselha.

Se a dúvida permanecer, sempre vale uma lista de prós e contras antes de investir no negócio. Isso é útil para projetar como seria o futuro.

Nunca deixe de avaliar o franqueador

Segundo Sentalin, quem compra uma franquia deve passar por avaliação e adequação de padrões com a matriz, mas é fundamental também estudar o franqueador antes de confiar e fechar negócio.

“A marca precisa estar há muito tempo no mercado e ter uma estrutura à disposição do franqueado”, avalia Sentalin, que recomenda a consulta desses dados por meio do site da ABF.

Fotos: Sorbis/Shutterstock

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