Violência contra a mulher: a culpa não é da vítima e os homens precisam se conscientizar sobre isso

Violência contra a mulher: a culpa não é da vítima e os homens precisam se conscientizar sobre isso

Há 18 anos, 25 de novembro é lembrado como o dia para combater a violência contra a mulher. Foi neste mesmo dia, em 1960, que as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. O motivo foi a luta das três contra o regime autoritário.

Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data como o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, em homenagem às três irmãs.

Dados que chocam

Os dados sobre violência contra a Mulher são alarmantes: uma em cada três brasileiras já sofreram algum tipo de violência no último ano. Apenas de agressões físicas, foram registrados 503 casos a cada hora. Divulgados no Dia Internacional da Mulher deste ano, esses números fazem parte de uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança.

O levantamento mostrou ainda que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal em 2016, um total de 12 milhões de mulheres, enquanto 10% sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual e 1,4 milhão de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento. Das entrevistadas, 1% levou pelo menos um tiro.

De acordo com dados da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Ministério da Justiça, em 10 anos, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona por meio do Ligue 180, prestou mais de 5 milhões de atendimentos. De janeiro a junho de 2016, 68 mil relatos de violência foram registrados em todo o País.

Em comparação ao mesmo período de 2015, houve um aumento de 142% de registros de cárcere privado, cerca de 18 por dia. Também houve um crescimento de 147% nos casos de estupro, média de 13 ocorrências por dia.

Onde entra a parte dele?

Desde cedo, os homens são criados de uma forma diferente, ao serem incentivados por brincadeiras mais agressivas e dominadoras. Enquanto isso, eles veem as mulheres sendo podadas e tendo sua liberdade restringida, sentindo-se, assim, superiores.

Em novembro de 2012, o educador norte-americano Jackson Katz, que tem seu foco de estudo nas questões de gênero e violência, palestrou no Ted Talks (aqui, é possível assistir ao vídeo com legendas em português) sobre a importância de debater a violência contra a mulher e a relação dos homens com a temática. “Nós, que trabalhamos no campo da violência doméstica e sexual, sabemos que culpar a vítima é algo difundido. Dizemos coisas do tipo: Por que essas mulheres saem com esses homens? Por que sentem atração? Por que sempre voltam para eles? Há inúmeras razões para, comumente, culparmos a vítima. Uma delas é que toda a nossa estrutura cognitiva é programada para culpá-las”, comentou.

homem-violencia

O educador utiliza-se de uma metáfora para explicar como costumamos tratar a relação do abusador com a vítima, ao contar a história de Maria, que apanhou de João. Com isso, Katz alerta da importância de se questionar o comportamento do homem. “Por que o João agride a Maria? Por que tantos homens abusam física, emocional e verbalmente, e de outras maneiras, das mulheres e garotas, e dos homens e garotos que eles dizem amar? O que está acontecendo com os homens? E qual o papel das várias instituições, em nossa sociedade, que estão ajudando a produzir homens abusadores, em ritmo pandêmico?”

Uma pesquisa realizada por estudantes de universidades do Paraná, intitulada ‘Perfil de homens autores de violência contra mulheres detidos em flagrante: contribuições para o enfrentamento’, apontou que, em um município da região central do estado, 89,3% dos agressores receberam liberdade provisória após pagarem fiança, enquanto 6,9% nem chegaram a pagar. O valor variou entre R$ 50 e R$ 600.

Katz questiona: o que estamos fazendo na nossa sociedade e no mundo? Qual é a participação de diversas instituições na geração de homens agressores? Qual o papel de sistemas religiosos, da cultura dos esportes, da cultura da pornografia, da estrutura familiar, da economia e como essas coisas se relacionam?

“Uma vez que começarmos a fazer essas conexões e estes grandes e importantes questionamentos, aí poderemos falar sobre como transformar essa realidade. Em outras palavras: Como podemos mudar a socialização de rapazes e as definições de masculinidade que levam aos atuais resultados? São esses questionamentos que precisamos fazer e o trabalho que precisamos realizar, mas se estivermos eternamente focados naquilo que as mulheres estão fazendo, não vamos chegar ao ponto”, concluiu Katz.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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