Você tem consumido mais do que deveria?

Você tem consumido mais do que deveria?

O dia 15 de março, próximo domingo, marca uma comemoração não muito familiar para muita gente: O Dia do Consumidor. A instauração da data tem seu louvor, serve para lembrar os direitos que cada consumidor tem. No entanto, ao falar sobre consumo é preciso também encarar o assunto por um outro ângulo.

Se a data remete ao consumo, então que sirva também para pensarmos sobre consumir de um modo mais consciente. E a necessidade de tocar neste tema surge não somente porque é saudável repensar a forma como consumimos, mas também porque atravessamos um período de crise econômica no país. O contexto exige cautela e revisão de posturas.

O diretor de marketing e sustentabilidade da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), Fernando Cosenza, reforça que, apesar do agravamento da crise estar acontecendo agora, muitas famílias já não contam com crescimento real da renda há cerca de dois anos, principalmente nas grandes cidades. “A inflação dos serviços foi bem maior que a média, assim como alimentos, refeição fora de casa. Famílias com renda média, com dois filhos, provavelmente já não tem crescimento da renda há algum tempo”.

A conjuntura inspira cuidados e reflexão sobre determinados gastos. Apesar do especialista avaliar que nos últimos anos já foi possível observar um movimento de amadurecimento para lidar com as finanças pessoais, uma pesquisa recente divulgada pelo SPC Brasil apontou que o brasileiro inadimplente tem mais de sete vezes sua renda mensal comprometida com dívidas atrasadas.

Tendo em vista esta realidade, é momento de fazer alguns questionamentos: Você realmente precisa de tudo que consome? Os seus gastos no cotidiano estão alinhados com aquilo que você realmente precisa?

O custo do crédito

As pessoas estão acompanhando os constantes aumentos na taxa básica de juros do país, mas nem sempre conseguem vislumbrar o que isso representa. Consenza relembra que em um período de 15 meses os juros subiram de 7% para 12,25%.

“Isso significa um custo financeiro maior. Se a pessoa tem uma dívida no cartão de crédito, no cheque especial, se está pagando um crediário, tudo isso fica mais caro. Quando o crédito encarece, os custos sobem para todo mundo que o usa, então a cadeia de serviços encarece como um todo. Gastos com salão de beleza, pet shop, entre outros vão subindo também. Os juros altos ajudam a conter a demanda, mas também encarem a cadeia de valores”, explica.

Tendo em vista esses impactos, reveja os serviços que você utiliza com frequência e avalie a possibilidade de fazer algumas coisas em casa, como reduzir os almoços em restaurantes, as idas ao salão de beleza, tire um tempo no fim de semana para dar banho em seu animalzinho de estimação, entre outras despesas.

animal_estimacao

Supermercado e alimentação

O especialista relembra os tempos do final da década de 1980, quando a inflação disparada fazia com que as pessoas se preocupassem em fazer as compras do mês para garantir alimentos básicos por preços melhores. “As famílias compravam leite o suficiente para o mês, açúcar, arroz, entre outros alimentos que não pereciam rapidamente. Esse comportamento de compras do mês deve voltar, para que as pessoas possam otimizar as compras”.

Cosenza reforça ainda a importância de buscar preços melhores em redes atacadistas, para garantir compras mais baratas. Além disso, vale a pena repensar certas despesas em casa. Se a família tem o hábito de pedir uma pizza aos sábados, é o caso de reduzir a quantidade de vezes que isso acontece, de repente trocar a pizza por um prato gostoso e barato feito em casa. E o mais importante: o dinheiro economizado com esses cortes e reduções, deve ser economizado.

Conhecendo o orçamento

Entender bem como funciona o orçamento é indispensável para que haja consumo consciente. Para aquelas pessoas assalariadas, fazer a discriminação do quanto entra e o quanto sai em dinheiro mensalmente é mais simples. As pessoas que trabalham como autônomas, por outro lado, precisam estudar uma maneira de avaliar os meses em que ganham mais e aqueles em que os ganhos são mais enxutos.

Ainda que seja através de um média, é preciso ter este controle não só para conhecer bem as despesas e a capacidade de consumo, mas também para reservar dinheiro para uma eventualidade. “Todo mundo tem uma geladeira que pifa, um remédio caro para comprar, um carro que precisa ser levado para a oficina, essa reserva precisa existir para estes momentos de aperto. Em tempos de crise, o ideal é dobrar a quantidade poupada. Se você guardava R$ 100 por mês, passe a guardar R$ 200”, reforça.

Em tempos difíceis, é preciso pensar em contenção de despesas como precaução para os cenários mais graves. “Se existe risco da perda de emprego, é preciso ir se adaptando à contenção de custos. É claro que ninguém está totalmente preparado para isso, mas é importante fazer um enfrentamento racional da situação”, finaliza.

 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

karinaalves

Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

close